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Tabela de preços para lava-jato: como montar a sua
Tabela de preços para lava-jato: como montar a sua
8 min de leitura
A tabela de preços da maioria dos lava-jatos nasce olhando o concorrente da esquina. Funciona até o dia em que o concorrente também estava chutando — e aí a rua inteira trabalha por um preço que ninguém calculou.
Existe uma conta melhor, e ela cabe numa folha.
O erro que quase todo mundo comete
Precificar por serviço, isolado. "Lavagem simples custa X, completa custa Y." O problema é que isso ignora a única coisa que você realmente vende, e que é limitada: tempo de baia.
Se a lavagem simples ocupa a baia por trinta minutos e a completa por sessenta, elas não podem ser comparadas pelo preço de etiqueta. Precisam ser comparadas pelo quanto rendem por hora de baia ocupada.
A conta que resolve
Comece por três números que você já tem:
- Custo fixo mensal. Aluguel, salários, água, luz, contador, internet, licenças.
- Horas de baia disponíveis no mês. Baias × horas por dia × dias por mês.
- Custo variável por atendimento. Produto, água extra, comissão, taxa de cartão.
Divida o custo fixo pelas horas de baia e você tem o custo por hora de baia — quanto aquela vaga precisa render só para pagar as contas.
A partir daí, cada serviço tem um piso: custo por hora × tempo que ele ocupa, mais o custo variável dele. Abaixo disso você está pagando para trabalhar, mesmo que a etiqueta pareça lucrativa.
Um exemplo para fixar
Três baias, nove horas por dia, seis dias por semana dão cerca de 700 horas de baia por mês. Se o custo fixo é R$ 14.000, cada hora de baia custa R$ 20 só de estrutura.
Uma lavagem que ocupa 50 minutos carrega R$ 16,60 de custo fixo. Somando R$ 8 de produto e taxa, o piso dela é R$ 24,60. O que passar disso é margem — e é essa margem, e não o preço, que você deveria estar comparando entre serviços.
Vale medir a sua capacidade real antes de fazer essa conta: acalculadora de capacidade mostra quantas horas de baia você tem por mês e quanto está sobrando sem uso.
Por que a ociosidade muda o preço
Esse é o ponto que separa quem calcula de quem chuta. O custo por hora de baia assume que a baia está ocupada. Se você opera a 60% de ocupação, o custo real por hora trabalhada é mais alto — porque as horas vazias também são pagas.
Duas conclusões práticas saem daí:
- Preço baixo em horário cheio é o pior negócio possível. Você está dando desconto na hora em que a baia teria sido vendida de qualquer jeito.
- Preço promocional em horário vazio quase sempre compensa. Aquela hora ia ser paga do mesmo jeito. Qualquer valor acima do custo variável é ganho.
É por isso que promoção de terça de manhã faz sentido e desconto de sábado à tarde raramente faz.
Como montar a tabela na prática
Três níveis, não sete. Simples, completa e premium cobrem quase toda a necessidade. Cardápio grande demais trava a decisão do cliente e complica a operação — e o padrão de escolha costuma se concentrar na opção do meio, que é justamente onde você quer que ela vá.
O intermediário é o que você quer vender. Monte-o com a melhor margem e faça o básico parecer básico de verdade. Se o simples resolve a vida do cliente, ninguém sobe.
Preço por porte de veículo. SUV suja mais, ocupa mais e consome mais produto. Cobrar igual de um hatch é subsidiar quem tem carro maior.
Extras com preço próprio. Cera, motor, higienização, hidratação de couro. É onde o ticket sobe sem ocupar muito mais tempo — e o carro já está no pátio.
Deixe alguns serviços sob orçamento. Polimento e vitrificação dependem do estado da pintura. Preço fechado na parede vira prejuízo no primeiro carro difícil — assunto que muda bastante quando o serviço é deestética automotiva e não lavagem.
Quando reajustar
Duas situações pedem reajuste, e nenhuma delas é "faz tempo que não aumento":
Ocupação alta constante. Passando de 85% com frequência, você está recusando cliente sem perceber. Preço é a forma menos dolorosa de administrar fila.
Custo fixo subiu. Aluguel reajustado, salário reajustado, energia mais cara. Refaça o custo por hora de baia e veja se algum serviço caiu abaixo do piso — é comum descobrir que a lavagem simples virou prejuízo silencioso.
Para as duas você precisa saber sua ocupação e seus custos, o que empurra para o mesmo lugar: ter isso registrado em vez de estimado. É o que ocontrole financeiro resolve, e é o que transforma a tabela de preços de opinião em conta.
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